Considerações para construir alicerces em uma economia global digital

McKinsey listou cinco perguntas fundamentais que as empresas precisarão responder se quiserem lograr sucesso no mundo digital

Para medir o impacto econômico da globalização digital, a McKinsey construiu um modelo baseado em fluxos de bens, serviços, pessoas, recursos financeiros e dados trafegados entre 97 países. O estudo descobriu que, ao longo da última década, esse “câmbio” aumentou em 10% a geração de riqueza no mundo.

Em termos específicos, isso significa adição de US$ 7,8 trilhões à economia mundial apenas em 2014. Apenas com impactos diretos, os fluxos de dados responderam por US$ 2,2 trilhões desse montante. Considerando a influência dessas informações em outras áreas, adicionam-se outros US$ 2,8 trilhões à conta.

O fluxo de informações tende a se intensificar cada vez mais em um mundo altamente conectado e onde as barreiras geopolíticas são bastante voláteis. Essa digitalização de oportunidades traz consigo alguns desafios, e a consultoria listou cinco perguntas que as empresas precisarão responder se quiserem lograr sucesso nesse novo ambiente competitivo.

 1. Você tem uma visão clara do ambiente competitivo?

A competição se intensifica uma vez que as plataformas digitais permitem que companhias de qualquer tamanho ou geografia disponibilizem rapidamente produtos para entrar em um novo mercado. O crescimento de micromultinacionais é uma tendência clara nesse ambiente de novos competidores digitais, pressionando empresas estabelecidas e trazendo novas dinâmicas de preço e ritmo de inovação.

2. Você tem os ativos e capacidades para competir?

Construir plataformas digitais, relacionamento online com clientes e data centers não é mais exclusividade dos gigantes da Internet. A GE, por exemplo, está transformando seu núcleo de capacidades de manufatura para estabelecer-se como um fornecedor líder de tecnologias de Internet das Coisas (IoT) industrial.

“Empresas em todas as indústrias precisam avaliar seus ativos, incluíndo o relacionamento com clientes e dados de mercado, considerando novas formas de gerar receitas”, salienta a McKinsey.

3. Você consegue simplificar sua estratégia de produto?

A digitalização pode simplificar produtos, marcas e custos para empresas que atuam em diferentes mercados globais. Além disso, há uma tendência paralela que toca o alinhamento de portfólios entre diferentes geografias. Se olharmos para as montadoras veremos que elas promoveram padronização de suas linhas vendidas em diferentes países. A Apple também oferece os mesmos iPhones e iPads em distintas regiões.

A consultoria cita que Airbnb, Facebook e Uber simplificaram suas plataformas para atingirem escala em diferentes países em que entraram, limitando ao máximo possível as customizações. De fato, o mundo mais virtual permite escala sem precedente. Tornar o processo de customizações mais inteligente deve ser uma prioridade.

4. Deveríamos remodelar nossa organização ou cadeia de suprimento?

Ferramentas digitais para colaboração remota e comunicação instantânea possibilitam centralizar algumas funções globais (talvez operações de retaguarda, por exemplo), afirma a consultoria. Com isso, é possível trabalhar com times globais que não cruzam (fisicamente) as bordas geográficas.

A McKinsey cita como exemplo disso a Unilever, que estaria usando soluções de tecnologia para organizar 40 linhas globais de serviço e criar uma organização virtual de entrega com os membros dos times que compõem essas iniciativas ao redor do mundo se conectando através de videoconferência.

Tecnologias digitais também são capazes de remodelar a cadeia de suprimento. “Torres de controle” virtuais que ofereçam visibilidade instantânea dos fluxos que passam pelas atividades de supply chain possibilitando coordenar fornecedores globais em tempo real.

Considerando que a velocidade é algo extremamente relevante em uma economia digital, muitas companhias estão reavaliando suas rotinas de suprimento, custos de logística, produtividade e proximidade a operações de outras empresas.

Segundo uma pesquisa da UPS, aproximadamente um terço das companhias de alta tecnologia está movendo sua manufatura ou linha de montagem para mais próximo do mercado consumidor. Uma adoção massiva de recursos de impressão 3D pode fazer com que mais empresas reconsiderem a localidade onde situarão suas fábricas, remodelando a geografia produtiva global.

5. Quais os novos riscos?

Manter a segurança dos dados precisa ser uma das prioridades das companhias em qualquer indústria, afirma a consultoria. É extremamente difícil estar à frente nesse jogo de gato e rato contra cibercriminosos. Porém, as empresas precisam priorizar seus ativos, realizar rotinas de teste contínuo em seus ambientes e educar seus colaboradores enfatizando métricas e condutas de proteção.

Adicionalmente, a internet e a competição global cortou a janela de exclusividade que as companhias possuíam para seus produtos e serviços. Assim, versões “paralelas” podem ser lançadas em novos mercados sem que, sequer, o criador daquela invenção tenha tido a capacidade de escalar o produto original.

O impacto econômico da digitalização encontra-se em franca expansão e a competição, nesse contexto, extrapola fronteiras físicas. Com novas ferramentas tecnológicas ampliando possibilidades para construir e gerir uma presença global, líderes de negócio inovadores possuem grande oportunidade nas mãos, basta saber aproveitá-las.

Fonte: Computerworld